Efeitos do Luto

23 DE DEZEMBRO DE 2020

 

Trazer mais visibilidade ao assunto para a importância da saúde mental ajuda na prevenção do suicídio.


 

Para a psicóloga Elivania Krause de 28 anos, isso ainda é um tabu social que deve ser quebrado: “Não falar sobre, não faz com que esta questão deixe de existir, mas faz com que pessoas que estejam em sofrimento e que estejam experienciando ideações suicidas não encontrem ajuda e acolhimento adequado, assim como impede que familiares e amigos de uma pessoa que se suicidou, que chamamos de sobreviventes do suicídio, encontrem o suporte necessário.”


 

Para prevenir o suicídio é importante focar nos indícios de sofrimento e não em transtornos mentais, não é porque uma pessoa apresenta algum transtorno que ela necessariamente pensa em tirar a vida. O Ministério da Saúde aponta alguns sinais que podem ser notados, como:


 

  • O aparecimento ou agravamento de problemas de conduta (tentativas de suicídio, auto agressão ou automutilações), ou de manifestações verbais durante pelo menos duas semanas;
  • Preocupação com sua própria morte (pensamento do que acontecerá depois ou quando ela morrer) ou falta de esperança;
  • Expressão de ideias ou de intenções de eliminar a própria existência. Aparecem em frases como “vou/gostaria de desaparecer”, “vou deixar vocês em paz”, “queria dormir e nunca mais acordar”, “não adianta tentar fazer nada, nada vai mudar”, “eu sou um peso para os outros”.
  • Isolamento: deixar de atender telefonemas, responder mensagens, participar de encontros sociais, ficar isolado por muito tempo em um cômodo da casa, etc.
  • Fatores agravantes: perda de emprego ou sofrimento no trabalho, crise política e/ou econômica, discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero, agressões psicológicas e/ou físicas, perda de um ente querido (luto complicado), a presença de doenças crônicas dolorosas ou incapacitantes, entre outros fatores situacionais que podem provocar sofrimento. 



Quando questionada sobre o luto, a psicóloga Elivania disse que é importante não patologizar, ou seja, transformar em doença. Porque o luto é  um processo doloroso, mas natural e que precisa ser passado. “Estranho seria uma pessoa perder alguém muito querido, alguém com um vínculo importante e não se sentir abalado com essa perda, conseguir seguir como se essa pessoa nunca tivesse existido ou que este evento não tivesse acontecido”, disse Elvania. 



É claro, que perder uma pessoa querida é difícil, ainda mais após grandes tragédias, como uma morte inesperada, neste caso, um suicídio. Por isso é importante oferecer apoio a familiares e amigos de pessoas que tiraram a vida, porque às vezes eles são afetados
pelo sentimento de culpa.
 


Mesmo cada pessoa reagindo de formas diferentes frente aos problemas, existe uma ordem que pode identificar as fases do luto. São elas:
 

  • Negação;
  • Raiva;
  • Barganha (trocas: eu preferia x situação ao invés disso);
  • Depressão;
  • Aceitação e reorganização.
  • “Conhecer as fases serve para ajudar a identificar o que está sentindo, mas é importante não criar a ideia de que será um processo linear perfeito, onde um estágio virá precisamente após o outro, como se estivéssemos subindo uma escada contínua”, explicou a psicóloga.



Lembre-se: Depressão é um assunto sério e que pode atingir qualquer pessoa. Se você ou alguém que conhece está passando por dificuldades emocionais ou considerando o suicídio, ligue para o Centro de Valorização da Vida pelo número 188. O CVV realiza apoio emocional, com atendimento voluntário e gratuito para todas as pessoas que querem conversar, sob sigilo por telefone, e-mail e chat 24h.

 

Fonte: Ossel